Ciclo da Insatisfação e a Sociedade Exibicionista: Uma Perspectiva Budista.

Vivemos em uma era onde a sociedade exibe incessantemente suas conquistas e felicidade aparentes. As redes sociais são os palcos onde cada indivíduo constrói sua própria narrativa de sucesso e plenitude, contribuindo para uma cultura de comparação, competição e, inevitavelmente, insatisfação crônica.

No cerne dessa dinâmica está o ciclo vicioso da insatisfação, um padrão de pensamento e comportamento que perpetuam a busca incessante por mais, alimentando um sentimento de inadequação e incompletude. O budismo, com sua sabedoria milenar, oferece insights valiosos sobre essa condição humana e como transcendê-la.
“Uma vez alguém perguntou ao Buda:

  • O que você e seus discípulos praticam?
  • Sentamos, andamos e comemos.
    O indagador ficou confuso.
  • Mas- continuo- todos sentam, andam e comem, não é?
  • Sim – disse Buda -, mas quando sentamos sabemos que estamos sentados. Quando andamos, sabemos que estamos andando. Quando comemos, sabemos que estamos comendo.
    Essa é a essência do viver consciente.”

No budismo, a insatisfação é reconhecida como uma das causas fundamentais do sofrimento humano. Essa constante sensação de falta, de nunca estar plenamente satisfeito, é resultado da nossa fixação nas experiências passageiras e na busca incessante por gratificação externa. O Buda ensinou que esse desejo insaciável é a raiz do sofrimento (dukkha) e nos impede de experimentar verdadeira paz e felicidade.

Quando estamos presos no ciclo da insatisfação, é difícil cultivar a gratidão. Em vez de apreciar o que temos, focamos no que falta, naquilo que ainda não alcançamos. A gratidão, no entanto, é um antídoto poderoso para a insatisfação. Ela nos direciona para o momento presente, para as bênçãos que já temos em nossas vidas, e nos liberta da prisão do desejo incessante.

No Budismo Tibetano, a prática da gratidão é vista como um caminho para a transcendência. Ao reconhecer e apreciar as dádivas da vida, somos levados além do egoísmo e da busca por validação externa, entrando em contato com uma consciência mais ampla e interconectada.

A sociedade exibicionista, alimentada pelas redes sociais e pela cultura do consumo, intensifica o ciclo da insatisfação. Ao nos expormos constantemente ao que os outros têm e conquistam, caímos na armadilha da comparação e competição. Essa busca incessante por validação externa nos afasta cada vez mais da verdadeira fonte de felicidade, levando-nos a um estado de descontentamento crônico e, em muitos casos, depressão.

Para romper esse ciclo, é preciso voltar-se para dentro, cultivar a gratidão e reconhecer a verdadeira natureza da felicidade, que não está nas conquistas externas, mas sim na paz interior e na aceitação do momento presente. O budismo nos lembra que a verdadeira plenitude reside na simplicidade, na compaixão e na conexão com algo maior do que nós mesmos. Ao deixar de lado a busca incessante por mais e abraçar a gratidão pelo que já temos, podemos encontrar um caminho para a verdadeira felicidade e realização.

Enfatizo a importância de duas ferramentas, na verdade; dois processos, dois caminhos: A Psicoterapia como tratamento dos traumas e medos, possibilitando ao indivíduo alcançar o autoconhecimento, auto aprimoramento e auto realização pela conscientização do Ser administrando o Ter; dentro de um espaço adequado de equilíbrio e interiorização da felicidade. Outra prática é a Meditação, a qual leva o meditador a conscientiza-se do ritmo da respiração, até a que fábrica dos pensamentos atinja o auge de silenciar os ruídos internos e externos, onde a paz passa a ser a moradora principal da sua casa interior.

Suzete Brainer (Direitos autorais registrados).

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Este post tem 2 comentários

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      Volte sempre!
      Abraço de paz.
      Suzete Brainer.

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